Avaliação de tecnologias em saúde e análises econômicas de próteses de reabilitação para amputados
uma revisão da literatura
DOI:
https://doi.org/10.14295/jmphc.v17.1482Palavras-chave:
Avaliação da Tecnologia Biomédica, Próteses e Implantes, Amputação Cirúrgica, ReabilitaçãoResumo
A amputação de membros, especialmente em decorrência de causas vasculares e diabetes, configura-se como um relevante problema de saúde pública no Brasil. Entre 2008 e 2015, foram registrados mais de 361 mil procedimentos de amputação no país, e estima-se que atualmente mais de 500 mil brasileiros vivam com amputações, número que cresce anualmente, em um contexto onde 12,5 milhões de pessoas enfrentam dificuldades motoras graves. Apesar de o Sistema Único de Saúde – SUS assegurar o direito ao fornecimento gratuito de órteses e próteses, o acesso permanece fragmentado, condicionado à estrutura local e frequentemente sujeito a longas filas de espera, que em algumas regiões superam dois anos. Embora o Brasil disponha de uma Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência, com 228 Centros Especializados em Reabilitação e cerca de 45 oficinas ortopédicas habilitadas, a distribuição desigual dos serviços, a escassez de insumos e a burocracia nos fluxos de regulação comprometem a universalidade do atendimento. Adicionalmente, os critérios clínicos para prescrição e fornecimento de próteses ainda carecem de padronização técnica nacional que considere a funcionalidade e o estilo de vida do paciente. A ausência de diretrizes baseadas em Avaliação de Tecnologias em Saúde – ATS para próteses no Brasil enfraquece a racionalidade das decisões públicas e perpetua um modelo de alocação que muitas vezes ignora o custo-efetividade e os desfechos relevantes para o usuário. Nesse contexto, torna-se urgente a adoção de critérios técnico-econômicos e funcionais que orientem não apenas a escolha da tecnologia, mas também sua distribuição de forma equitativa e eficiente, considerando a realidade individual de cada paciente. Neste contexto, o presente trabalho teve como objetivo realizar uma revisão integrativa da literatura sobre ATS e avaliações econômicas aplicadas a próteses de reabilitação para amputados, buscando identificar evidências de efetividade clínica e custo-efetividade, além de propor diretrizes que subsidiem a incorporação dessas tecnologias no SUS. A busca abrangeu as principais bases científicas internacionais, como PubMed, Embase, Lilacs, Cochrane, Web of Science e Science Direct, seguindo a metodologia PRISMA. A pergunta de pesquisa foi “Quais são as evidências disponíveis sobre avaliações de tecnologias em saúde e avaliações econômicas de próteses de reabilitação para amputados?”. Pólos orientadores e descritores foram selecionados, sendo os pólos: (1) Avaliação de Tecnologias em Saúde; (2) Análise Econômica em saúde; (3) Próteses; e (4) Amputados. Através da busca, foram encontrados 1.872 estudos, sendo excluídos 1.083 por duplicata, 64 eram anteriores a 2015. Após a leitura dos títulos, resumo e os artigos na integra, resultaram em 16 estudos que analisaram intervenções protéticas em amputados, com foco em desfechos clínicos, funcionais e econômicos. Os critérios de exclusão foram estudos anteriores a 2015, que não abordam o tema de pesquisa, que não abordaram a parte econômica e estudos sem apresentação de resultados completos. Observou-se predominância de estudos sobre próteses de membros inferiores, em especial joelhos microprocessados e sistemas de suspensão a vácuo. As evidências apontam que tais tecnologias promovem melhora na mobilidade, redução de quedas, maior segurança e menor sobrecarga no membro contralateral, além de aumento na qualidade de vida percebida pelos usuários. Em análises de custo-efetividade, identificou-se que joelhos microprocessados, como o Genium, apresentam resultados favoráveis em perfis clínicos específicos, especialmente na população funcionalmente ativa com dificuldades no uso de soquetes convencionais. Além disso, estudos mais recentes vêm reforçando a importância de incorporar critérios centrados no usuário na avaliação dessas tecnologias. Apesar do avanço das evidências internacionais, o cenário brasileiro ainda carece de dados epidemiológicos robustos, estudos econômicos locais e diretrizes clínicas para orientar a concessão de próteses. As políticas públicas permanecem desarticuladas, tanto na esfera federal quanto nos entes subnacionais, e não há instância específica dedicada à avaliação de próteses. Enquanto países como Reino Unido e Alemanha incorporam tecnologias com base em critérios funcionais, custo-efetividade, impacto orçamentário e desfechos clínicos, o Brasil ainda opera por meio de listas administrativas pouco atualizadas, sem critérios de priorização transparentes. No caso alemão, por exemplo, pesquisa qualitativa com usuários e gestores demonstrou que o acesso adequado à prótese depende de uma estrutura normativa clara, protocolos padronizados e avaliação regulatória sólida, pilares ainda frágeis na realidade brasileira. A experiência do National Health Service - NHS britânico, que passou a adotar critérios de elegibilidade baseados em desempenho funcional e evidência de benefício incremental em mobilidade, reforça a viabilidade de políticas públicas embasadas em ATS, inclusive em sistemas de saúde universais. Outra proposta relevante refere-se à implementação de projetos-piloto em hospitais de ensino e centros de reabilitação de referência, como o Instituto Lucy Montoro, para validação de tecnologias inovadoras com monitoramento prospectivo de indicadores clínicos e econômicos. Além disso, é necessário estruturar mecanismos de financiamento específicos e regionalizados, com recursos vinculados à aquisição de próteses modernas para perfis clínicos prioritários, superando o modelo atual baseado em tabelas fixas como as estabelecidas no Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM – SIGTAP. A adoção de protocolos de ATS para próteses, aliados a estratégias de regionalização da oferta e qualificação de centros de reabilitação, representa um caminho factível e necessário para garantir equidade, efetividade e sustentabilidade na oferta de tecnologias para amputados no Brasil. Trata-se não apenas de uma pauta técnica ou administrativa, mas de uma questão de justiça social e reconhecimento de um direito fundamental: o de acessar, com dignidade, as condições necessárias para viver com independência e plenitude.
Downloads
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 JMPHC | Journal of Management & Primary Health Care | ISSN 2179-6750

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Documentação
Conforme diretrizes estabelecidas pelo International Commiteee of Medial Journal Editors, os autores devem encaminhar os seguintes documentos, quando da submissão do manuscrito:
- Carta de Apresentação
- Declaração de Responsabilidade
- Termo de transferência de Direitos Autorais
Modelos de documentos
- a) CARTA DE APRESENTAÇÃO
Cidade, _[dia]__ de Mês de Ano.
Prezado Sr. Editor, Revista JMPHC
Submetemos à sua apreciação o trabalho “____________[título]_____________”, que se encaixa nas áreas de interesse da JMPHC. A revista foi escolhida [colocar justificativa da escolha da revista para a publicação do manuscrito].
O autor 1 participou da concepção, planejamento, análise, interpretação e redação do trabalho; e, o autor 2 participou na interpretação e redação do trabalho. Ambos/todos os autores aprovaram a versão final encaminhada.
O trabalho está sendo submetido exclusivamente à JMPHCD. Os autores não possuem conflitos de interesse ao presente trabalho. (Se houver conflito, especificar).
__________________________________
nome completo do autor 1 + assinatura
__________________________________
nome completo do autor 2 + assinatura
- b) DECLARAÇÃO DE RESPONSABILIDADE
Eu, (nome por extenso), certifico que participei da autoria do manuscrito intitulado (título) nos seguintes termos:
“Certifico que participei suficientemente do trabalho para tornar pública minha responsabilidade pelo seu conteúdo.”
“Certifico que o manuscrito representa um trabalho original e que nem este manuscrito, em parte ou na íntegra, nem outro trabalho com conteúdo substancialmente similar, de minha autoria, foi publicado ou está sendo considerado para publicação em outra revista, quer seja no formato impresso ou no eletrônico, exceto o descrito em anexo.”
“Atesto que, se solicitado, fornecerei ou cooperarei totalmente na obtenção e fornecimento de dados sobre os quais o manuscrito está baseado, para exame dos editores.”
Contribuição: _______________________________________________________________
_________________________ ___________________
Local, data Assinatura
- c) TERMO DE TRANSFERÊNCIA DE DIREITOS AUTORAIS
Eu/Nós, ______autor/es_____________ concordo(amos) que os direitos autorais referentes ao manuscrito [TÍTULO], aprovado para publicação na Revista JMPHC, serão propriedade exclusiva da revista, sendo possível sua reprodução, total ou parcial, em qualquer outro meio de divulgação, impresso ou eletrônico, desde que citada a fonte, conferindo os devidos créditos à Revista JMPHC, sob a Licença Creative Commons CC BY (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/deed.pt).
Autores:
_______________________ ____________________________
Local, data NOME COMPLETO + Assinatura
_______________________ ____________________________
Local, data NOME COMPLETO + Assinatura






