A meditação como ferramenta lúdica

potenciais e limites à promoção da saúde

  • Adriana Aparecida da Fonseca Viscardi Universidade Federal de Santa Catarina
  • Daliana Stephanie Lecuona Universidade do Estado de Santa Catarina
  • Priscila Mari dos Santos Correia Universidade Federal de Santa Catarina
  • Alcyane Marinho
Palavras-chave: Promoção da Saúde, Meditação, Saúde Pública, Terapias Complementares, Atenção Primária à Saúde

Resumo

A meditação foi inserida no Sistema Único de Saúde – SUS, por meio das Práticas Integrativas e Complementares – PICs, como um recurso terapêutico. Considerando tratar-se de uma prática corporal mais introspectiva, com potencial reflexivo, de envolvimento de si mesmo, este estudo tem como objetivo analisar os potenciais e os limites da meditação, como ferramenta lúdica, à promoção da saúde em uma unidade básica de saúde do município de Florianópolis, Santa Catarina, Brasil. Trata-se de uma pesquisa de campo, com corte transversal, do tipo descritivo, com abordagem qualitativa dos dados, tendo como participantes a responsável pelo grupo de meditação de uma unidade básica de saúde, na cidade de Florianópolis (SC), e três integrantes desse grupo. Como instrumentos de coleta de dados foram utilizados roteiros de entrevistas, matriz de observação sistemática e diário de campo.  Para análise dos dados foram utilizados elementos da técnica de análise de conteúdo. Verificou-se que a meditação pode permitir a expressão de subjetividade e de autonomia, podendo favorecer a aproximação entre profissionais de saúde e a comunidade, bem como entre os próprios participantes. Além disso, a meditação pode proporcionar a experimentação de um momento de introspecção e autocuidado. Por outro lado, também pode dificultar o sentimento de pertença, observando-se os entraves para as relações conforme as características pessoais e profissionais dos envolvidos. Tais características visualizadas retratam a meditação como uma possível ferramenta lúdica na promoção de saúde, com potenciais notórios, mas, igualmente, com limites, que precisam ser reconhecidos a fim de serem trabalhados em direção à sua minimização.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Ministério da Saúde (BR), Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2006 [acesso em 24 jun. 2018]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pnpic.pdf.

Telesi Junior E. Práticas integrativas e complementares em saúde, uma nova eficácia para o SUS. Estud Av. 2016;30(86):99-112. https://dx.doi.org/10.1590/S0103-40142016.00100007.

Ministério da Saúde (BR). Portaria n° 849, de 27 de março de 2017. Inclui a Arteterapia, Ayurveda, Biodança, Dança Circular, Meditação, Musicoterapia, Naturopatia, Osteopatia, Quiropraxia, Reflexoterapia, Reiki, Shantala, Terapia Comunitária Integrativa e Yoga à Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2017 [acesso em 23 jun 2018]. Disponível em: http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/prt_849_27_3_2017.pdf.

Ministério da Saúde (BR). Portaria n° 702, de 21 de março de 2018. Altera a Portaria de consolidação nº 2/GM/MS, de 28 de setembro de 2017, para incluir novas práticas na política nacional de práticas integrativas e complementares – PNPIC. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2018 [acesso em 23 jun. 2018]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2018/prt0702_22_03_2018.html.

Galvanese ATC, Barros NF, D’Oliveira AFPL. Contribuições e desafios das práticas corporais e meditativas à promoção da saúde na rede pública de atenção primária do Município de São Paulo, Brasil. Cad Saude Publica. 2016;33(12):1-13. http://dx.doi.org/10.1590/0102-311x00122016.

Randow R, Campos KFC, Roquete FF, Silva LTH, Duarte VES, Guerra VA. Periferização das práticas integrativas e complementares na atenção primária à saúde: desafios da implantação do lian gong como prática de promoção à saúde. Rev Bras Promoc Saude. 2016; 29(Suppl):111-17. http://dx.doi.org/10.5020/18061230.2016.sup.p111.

Ministério da Saúde (BR). Portaria nº 687, de 30 de março de 2006. Aprova a Política de Promoção da Saúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2006 [acesso em 23 jun. 2018]. Disponível em: http://189.28.128.100/dab/docs/legislacao/portaria687_30_03_06.pdf.

Word Health Organization. The Ottawa charter for health promotion. Geneva: WHO; 1986 [acesso em 23 jun. 2018]. Disponível em: http://www.who.int/healthpromotion/conferences/previous/ottawa/en/.

Ministério da Saúde (BR). Portaria nº 2.466, de 11 de novembro de 2014. Redefine a Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS). Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2014 [acesso em 23 jun. 2018] Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2014/prt2446_11_11_2014.html.

Ministério da Saúde (BR). Secretaria Executiva. Secretaria de Vigilância em Saúde. Glossário temático: promoção da saúde. 1a ed., 2a reimpr. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2013 [acesso em 23 jun. 2018]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/glossario_tematico_promocao_saude.pdf.

Carvalho FFB, Nogueira JAD. Práticas corporais e atividades físicas na perspectiva da promoção da saúde na atenção básica. Cienc Saude Colet. 2016;21(6):1829-38. http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232015216.07482016.

Gonçalves AM. A inserção de profissionais de Educação Física em ambientes de saúde [tese]. Porto Alegre (RS): Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 2015.

Manske GS, Barcelos TS. Práticas corporais medicalizantes: diagnosticando a revista Vida Simples. Movimento. 2016 [acesso em 23 jun. 2018];22(1):233-46. https://doi.org/10.22456/1982-8918.54900.

Higuchi TE, Kozasa EH, Santos TM, Oi LL, Garcia MC, Silva LA. Avaliação qualitativa das práticas meditativas oferecidas no sistema público de saúde na Coordenadoria Regional de Saúde Centro-Oeste (CRSCO) em São Paulo, Brasil. Saude Colet. 2011;54(8):230-33.

Lemos KCV. Meditação baseada em mindfulness e o método feldenkrais® como terapias complementares no SUS: a implementação da política nacional de práticas integrativas e complementares no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO) sob a perspectiva dos usuários [dissertação]. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Psicologia; 2014.

Barker KK. Mindfulness meditation: do-it-yourself medicalization of every moment. Soc Sci Med. 2014;106:168-76. https://doi.org/10.1016/j.socscimed.2014.01.024.

Menezes CB, Dell’agllio DD. Porque meditar? A experiência subjetiva da prática da meditação. Psicol Estud. 2009:14(3):565-73. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-73722009000300018.

Huizinga J. Homo Ludens: O jogo como elemento da cultura. 6a ed. São Paulo: Perspectiva; 2010.

Gomes CL. Lazer: necessidade humana e dimensão da cultura. Rev. Bras. Est. Lazer. 2014;1(1): 3-20.

Choe J, Chick G, O’Regan M. Meditation as a kind of leisure: the similarities and differences in the United States. Leisure Stud. 2015;34(4):420-37. https://doi.org/10.1080/02614367.2014.923497.

Gil AC. Métodos e técnicas da pesquisa social. 6a ed. São Paulo: Atlas; 2008.

Bardin L. Análise de conteúdo. Reto LA,e Pinheiro A, tradutores. Lisboa: Edições 70; 2009.

Souza JM, Tholl AD, Córdova FP, Heidemann ITSB, Boehs AE, Nitschke RG. Aplicabilidade prática do empowerment nas estratégias de promoção da saúde. Cienc Saude Colet. 2014;19(7):2265-76. http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232014197.10272013.

Noguchi MS. Meditação, saúde coletiva e fonoaudiologia: um diálogo em construção. Disturbios Comun. 2015:27(3):642-53.

Campos D, Cebolla A, Quero S, Bretón-Lopez J, Botella C, Soler J, et al. Meditation and happiness: Mindfulness and self-compassion may mediate the meditation–happiness relationship. Pers Individ Dif. 2016;93: 80-5. https://doi.org/10.1016/j.paid.2015.08.040.

Campayo JG, Demarzo M. Manual Práctico: Mindfulness: Curiosidad y aceptación. [Barcelona]: Editorial Siglantana; 2015.

Kalichman AO, Ayres JRCM. Integralidade e tecnologias de atenção à saúde: uma narrativa sobre contribuições conceituais à construção do princípio da integralidade no SUS. Cad Saude Publica. 2016;32(8):e00183415. http://dx.doi.org/10.1590/0102-311X00183415.

Sanchez RM, Ciconelli RM. Conceitos de acesso à saúde. Rev Panam Salud Publica. 2012;31(3):260-8.

Hoga LAK. A dimensão subjetiva do profissional na humanização da assistência à saúde: uma reflexão. Rev Esc Enferm USP. 2004;38(1):13-20. http://dx.doi.org/10.1590/S0080-62342004000100002.

Publicado
18-09-2019
Como Citar
1.
Viscardi AA da F, Lecuona DS, Correia PM dos S, Marinho A. A meditação como ferramenta lúdica: potenciais e limites à promoção da saúde. J Manag Prim Health Care [Internet]. 18º de setembro de 2019 [citado 7º de maio de 2021];100. Disponível em: https://www.jmphc.com.br/jmphc/article/view/587